Como destruir um ministério de sucesso

Já me pego em contradição semântica quando utilizo a palavra “sucesso” no título deste artigo.

Este conceito não é unânime entre a cristandade e, graças a Deus, é melhor assim. Segundo a Escritura, ouso eu afirmar que ser bem sucedido é completar a carreira dignamente, ainda que chorando e lamentando feito o profeta Jonas.

Deus não está preocupado com a resolução de problemas. Ele não depende de nossa ajuda ou capacidade de empreender para salvar o mundo. Uma gota do sangue de Jesus seria mais do que suficiente para que houvesse perdão de todos os pecados, mas ainda sim Ele se derramou por inteiro. Lavou os pés de seus discípulos enquanto ainda não eram homens “de sucesso” e, mais do que isso, colocou sobre eles a responsabilidade de serem seus mensageiros após a ressurreição. Resistiu à tentação de escrever a Bíblia de próprio punho, mas permitiu que a glória inestimável fosse transportada a nós em vasos de barro.

Mas a Igreja sofreu nas mãos de homens que julgavam ser melhores que seus irmãos. Jogamos Efésios 4 fora e a tal “edificação do corpo” foi substituída por grandes empreendimentos ministeriais cujo nome de seus líderes se tornaria notório. É da natureza caída do homem buscar honra para si próprio. E assim surge o papado, seguido de inumeráveis outros papas menores dentro do movimento protestante.

Se há algo que podemos verificar na história de grandes movimentos genuinamente cristãos é que TODOS que sucumbiram seguem um rito claro: crescimento extraordinário, centralização da autoridade na figura de um homem, colapso do casamento, descolamento de tal homem da comunhão com quem pensa diferente, fim do ministério. Não necessariamente estes itens ocorrem na mesma ordem. Mas necessariamente todos ocorrem.

Em minha jornada sempre me preocupei com este “padrão”. Não quero citar nomes aqui porque seriam muitos… e de muitas gerações. Este rito de “queda” é tão antigo quanto a Bíblia. E por pura arrogância cheguei a supor que, com as devidas precauções, EU poderia não cair onde outros homens de Deus caíram. Como sou tolo.

A única maneira de nos mantermos íntegros nesta jornada é renunciando ao PODER. Soli Deo Gloria, saca? Quando nosso nome passar a se tornar unanimidade demais, voltemos à toalha e à bacia. Quando nosso ministério estiver dando frutos demais, que o reconhecimento seja dado aos demais que trabalharam para viabilizar tal vocação. Quando o púlpito passa a ser nosso, que o devolvamos aos nossos irmãos e que trabalhemos mais nos bastidores, para que a Palavra cresça EM TODOS NÓS e não apenas em mim. Quando enxergarmos algo que ninguém ainda enxergou, que possamos buscar discernimento para compreender que nosso dever é REPARTIR inclusive a visão. E não permitirmos que sejamos colocados em pedestais por causa daquilo que Deus faz através de nós.

A única maneira de não cairmos, é permanecermos de joelhos no que se refere à fé, e abraçados no que se refere ao trabalho. A pergunta que faço sempre é muito simples: o que seria do ministério ao qual sirvo se eu morresse HOJE? Continuaria no rumo que creio que FOI DEUS que apontou, ou as pessoas mudariam radicalmente os marcos que fincamos?

Em qualquer empreendimento em nome de Deus onde UM HOMEM torna-se o líder visionário inquestionável e destituído de submissão VOLUNTÁRIA (e real) a outros homens de Deus, a pior coisa que poderia acontecer é tal “ministério” dar certo.

Que Deus livre o mundo das garras de cada um de nós que fomos vocacionados para sermos pastores de Seu rebanho.

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