A visão cristã sobre trabalho se opõe ao marxismo

O trabalho não é só uma questão de naturalidade, mas um meio para glorificar a Deus. O cristão é chamado a viver sua vocação e com ela contribuir para sociedade, e nesta realização Deus é glorificado, honrado.

Na visão cristã o trabalho é uma forma de glorificar a Deus. Usar os talentos para criar, contribuir e fazer funcionar uma ordem que alimenta o progresso do país. Claro que no mundo caído as coisas nem sempre funcionam exatamente, os sistemas são imperfeitos e podem ser usados para outros fins. Mas a vida do cristão está pautada na superação, jamais no vitimismo – ou em cobrança de dividas com impulsões ”caninamente” raivosas. A relação entre patrão e empregado deve ser sempre um meio para glorificar a Deus. Quando este patrão não é um cristão – é dever de cada cristão usar esse meio para bom testemunho e sinalizar como ótima oportunidade para exaltar o nome do Senhor. Mas quando o patrão é cristão, esta relação deve ser recíproca. Paulo escrevendo para Filemon o aconselhou a considerar com sabedoria a situação do escravo Onésimo. Onésimo que por sua vez furtou e fugir do seu dono. Claro que o contexto é outro, mas o conselho de Paulo permeia as relações entre chefe e empregado. Segue o texto:

“Peço-te por meu filho Onésimo, que gerei nas minhas prisões; o qual noutro tempo te foi inútil, mas agora a ti e a mim muito útil; eu to tornei a enviar. E tu torna a recebê-lo como às minhas entranhas. Eu bem o quisera conservar comigo, para que por ti me servisse nas prisões do evangelho; mas nada quis fazer sem o teu parecer, para que o teu benefício não fosse como por força, mas, voluntário. Porque bem pode ser que ele se tenha separado de ti por algum tempo, para que o retivesses para sempre, não já como servo, antes, mais do que servo, como irmão amado, particularmente de mim, e quanto mais de ti, assim na carne como no Senhor? Assim, pois, se me tens por companheiro, recebe-o como a mim mesmo.” (Filemom 1:10-17)

A recomendação de Paulo é que Filemon tenha bom senso, não seja implacável para com Onésimo que agora como cristão era honesto e dedicado, uma falha não poderia definir a vida de um homem. Claro que também existem os que abusam da boa vontade dos seus chefes, e neste sentido é justo que os tais punam e demitam empregados preguiçosos e incompetentes. A relação é saudável quando ambos cumprem suas vocações. Sem apelos para rivalidades. Para o empregado, o desejo de ser melhor, de conquistar aquilo que se pretende em sua vocação; para o chefe, além da mesma postura, é bom sempre está alerta para o perigo do acumulo da riqueza. O reformador João Calvino nos deu uma grande contribuição neste sentido. Calvino afirmava que a riqueza residia em não desejar mais do que se tem. Também entendia que a prosperidade poderia ser uma armadilha para a nossa vida espiritual: “Nossa prosperidade é semelhante à embriaguez que adormece as almas.” “Aqueles que se aferram à aquisição de dinheiro e que usam a piedade para granjearem lucros, tornam-se culpados de sacrilégio.” Daí que, para o nosso bem, o Senhor nos ensina através de várias lições a vaidade dessa existência.’’ Comentando o Salmo 62.10, diz: “Pôr o coração nas riquezas significa mais que simplesmente cobiçar a posse delas.

O marxismo é antagônico a visão cristã

Karl Marx e Friedrich Engels afirmaram na ‘’obra’’ ”O Manifesto do Partido Comunista” – que esta relação de empregado e patrão é de luta. Não existe amizade, não existe paz. Os dois são antagônicos. Logo no primeiro capítulo do livro eles declaram: ‘’ A história de todas as sociedades existentes até hoje é a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e aprendiz, em suma, opressores e oprimidos’’. Sim, exatamente desta forma que o marxismo coloca a relação entre patrão e empregado: Opressores e oprimidos. Para os dois filósofos do comunismo, esta relação sempre vai terminar ou com uma transformação ‘’revolucionária’’ de toda sociedade – ou com o fim comum das classes em luta. Não precisa dizer que os dois fizeram uma releitura da história para fundamentar sua ideologia a fim de racionalizar essa suposta guerra entre chefe e empregado, ou como eles dizem: ‘’burguesia contra a classe operária’’. Com essa ideia disforme o ”Manifesto Comunista” arrebatou centenas de corações. Mas é simplesmente uma ideologia fraudulenta em muitos aspectos – primeiro, porque faz uma negativa do talento, da vocação individual; segundo, converge a história para dualidade entre trabalhadores (o bem) e os chefes ( o mal). Vejamos como exemplo Albert Einstein, em sua genialidade desenvolveu a teoria da relatividade geral, um dos pilares da física moderna. Se uma teoria é provada e patenteada poderá render milhões e consequentemente desenvolverá um centro de pesquisa onde empregaria centenas pessoas. o talento de Albert Einstein gerou a relação chefe e empregado que necessariamente não é uma luta, mas uma relação positiva que pode contribuir para o progresso da ciência e beneficiar a sociedade. Essa visão casa com o pensamento cristão, mas é oposta a visão marxista. O marxismo nega o talento, surrupia a liberdade – ignora o rico universo de cada pessoa em pró de uma suposta, ilusória, delirante igualdade; terceiro, na realidade o chefe não é ”opressor”, pois a palavra final que dita é o consumidor. Não existe rico ou riqueza se o consumidor não consumir. Então essa relação de trabalhador e chefe na realidade se baseia na ação do consumidor que na realidade é o grande chefe. O trabalho tanto do proletariado como do chefe, produz honra. Do coletor de lixo ao mega empresário, todo trabalho é digno. Concordo com o Dr. Hermestein Maia, quando diz: ‘’As Escrituras nos ensinam que Deus nos criou para o trabalho (Gn 2.8,15). O trabalho, portanto, faz parte do propósito de Deus para o ser humano, sendo objeto de satisfação humana: “Em vindo o sol, (…) sai o homem para o seu trabalho, e para o seu encargo até à tarde” (Sl 104.22-23). Na concepção cristã, o trabalho dignifica o homem, devendo o cristão estar motivado a despeito do seu baixo salário ou do reconhecimento humano; embora as Escrituras também observem que o trabalhador é digno do seu salário (Lc 10.7). Seu trabalho deve ser entendido como uma prenda feita a Deus, independentemente dos senhores terrenos; deste modo, o que de fato importa, não é o trabalho em si, mas sim o espírito com o qual ele é feito; a dignidade deve permear todas as nossas obras, visto que as realizamos para o Senhor’’. O trabalho não é só uma questão de naturalidade, mas um meio para glorificar a Deus. O cristão é chamado a viver sua vocação e com ela contribuir para sociedade, e nesta realização, Deus é glorificado e honrado.

Entre a ideologia e a prática: um abismo

Devemos viver aquilo que defendemos. Ainda que eu discorde de tudo que seja antagônico ao cristianismo devo reconhecer a honestidade até mesmo vindo de pessoas que prescrevem tal oposição. Mas não é o caso do marxismo e de seu pai. Segundo historiadores a vida pessoal e a personalidade de Karl Marx era de um bon vivant. Casou-se com uma mulher rica. Era boêmio, gostava de festas, bebidas e mulheres. Teve alguns filhos fora do casamento. Apesar de sua esposa ser aristocrata passou por dificuldade financeira. Em seguida conheceu Friedrich Engels, filho de um rico industrial que apoiava suas ideias e o sustentava financeiramente. Karl Marx e Engels tinham problemas familiares. Engels trabalhou um pouco na empresa do pai. Inspirada em suas ideias, metade da população do mundo acredita (acreditou) que devemos de fato sustentar os ‘’oprimidos’’. É evidente a hipocrisia de Karl Marx, defendia algo que nem mesmo vivia. A maioria dos biógrafos de Karl Marx sempre deixam escapar traços de uma personalidade autoritária. Isso de alguma expõe de fato a essência real do seu pensamento; Ele queria por meio de uma revolução a da ditadura do proletariado. Na realidade o desejo de tomar a cadeira do burguês, se torna burguês mediante a força e a violência. Conquistando sem mérito as riquezas. Novamente Paulo nos alerta para o perigo destas ideologias trajadas de ”filosofias inofensivas”: “Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2.8). E não poderia fechar esse texto com a memorial frase do conservador inglês Edmund Burke:’‘Tudo que é preciso para triunfo do mal é que nada façam os homens de bem.” Estamos no tempo que é urgente o surgimento de verdadeiros homens que amem a Deus, a família, seu trabalho e sua nação.

Soli Deo Gloria

Por Heuring Motta
Colunista da Revista Consciência Cristã

Um comentário em “A visão cristã sobre trabalho se opõe ao marxismo

  • 14 de dezembro de 2017 em 09:31
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    Véi, na boa, respeito a opinião do irmão, mas o embasamento e a argumentação desse texto não tá muito coerente.

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